Segunda-feira, Outubro 01, 2007

TV digital vai estrear para ninguém

"No dia 2 de dezembro de 2007, quando a TV aberta brasileira estrear oficialmente sua transmissão digital em São Paulo, haverá menos de 1.000 pessoas --numa cidade com cerca de 11 milhões-- assistindo aos programas em alta definição. Para Virgílio Amaral, diretor de Estratégia e Tecnologia da TVA, este é o quadro mais otimista para início da TV digital no Brasil.

"Vai ser uma estréia para ninguém", diz Amaral, especialista no setor e responsável pela digitalização da TVA. Para ele, a TV digital deve estrear mesmo no ano que vem, turbinada pela transmissão dos Jogos Olímpicos de Pequim. "Não vejo de forma ruim este começo. Afinal, a TV digital vai depender de um processo de aculturamento", pondera.

Para pegar freqüência digital, o telespectador precisará de um aparelho com set-top box (conversor) avulso ou embutido. Se quiser a imagem mais nítida possível, de 1.080 linhas horizontais, terá de comprar um televisor do tipo Full High Definition. Os preços para este tipo de eletrodoméstico começam na casa dos R$ 7 mil, sem set-top box acoplado.

"Muita gente acha que ter uma TV de plasma ou LCD qualquer com um receptor digital embutido já dá para receber o melhor conteúdo em alta definição, quando, na verdade, você precisa de uma Full HD para ter a alta definição total", explica Amaral.

O set-top box, decodificador que receberá o sinal tanto para TVs analógicas quanto digitais, estará a venda já no mês que vem. Seu preço segue nebuloso --governo e indústria cantam em acordes diferentes, oscilando o custo de prateleira de R$ 200 a R$ 800.

Aparelhos com set-top box embutido também chegam ao mercado em novembro. LG e Samsung já confirmaram a entrada neste setor. Outras empresas, como Panasonic e Aiko apostarão nos conversores. A lógica é de que haverá mais mercado para as caixas receptoras do que para novos televisores.

A chance da imagem em alta definição total se transformar num boto tecnológico é alta. "O consumidor que procura uma TV hoje avalia dois aspectos: quantas polegadas tem o aparelho e qual seu preço. Ao consumidor médio, pouco importa esses aspectos mais técnicos", diz o diretor da TVA.

Assim como o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, ele aposta que o governo precisará expandir seu cronograma de implantação da TV digital. Segundo o ministério das comunicações, o sinal analógico será cortado até 2016, e daí em diante só haverá transmissão digital. Assim como a estréia da TV digital em dezembro, esta seria uma outra data meramente simbólica.

Como quase ninguém assistirá à bela imagem da TV digital em sua estréia, supermercados, shoppings, lojas de eletrônicos e até emissoras já começaram a expor TVs Full HD com programação digital de teste pela cidade.

"Isso lembra a estréia da TV a cores. Naquela época, eu só conseguia ver [a novela] 'Bem-Amado' colorida se fosse numa loja. O problema é que ela começava de noite, quando os estabelecimentos já estavam fechando", brinca Amaral, que assistirá à estréia da TV digital em alta definição de sua casa.

Neste sentido, a digitalização da TV aberta lembra ainda as primeiras transmissões televisionadas no país, que fizeram neste mês aniversário de 57 anos.

Na época, Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi, distribuiu 200 aparelhos entre lugares estratégicos e mais abastados da capital paulista. Curiosidade: para cumprir o cronograma, Chatô precisou contrabandeá-los dos EUA."
Fonte: Folha de S.Paulo, 25/09/2007

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Dez coisas que todo designer deve saber

Gente, eu não morri (Nem desisti do Blog)
Não foi falta de tempo pra postar. A atual realidade não aceita mais essa desculpa, infelizmente. Todo o mundo tá batendo pino! E comigo não é diferente.

Enquanto eu penso em como e o que postar pra voltar à ativa, vou desenterrar um post que estava salvo como rascunho. Aliás, esse é um ótimo truque para quem mantém um blog. Aproveite àqueles dias de inspiração divina, e rascunhe alguns posts a mais. De preferência sobre um assunto genérico, com uma data de validade bem longe de se expirar. Tipo esse que postarei agora. Cai como uma luva nessas horas de "Preciso atualizar meu blog AGORA!". Segue...


Dez coisas que todo designer deve saber...
... mas nunca vai aprender num curso de Design:

Confira as 10 dicas essenciais para quem trabalha ou pretende trabalhar com design. Os conselhos foram inspirados num texto semelhante do arquiteto norte-americano Michael McDonough, publicado originalmente na The Architect's Newspaper.

1. Talento não é tudo
Talento é importante em qualquer profissão, mas também não é garantia de sucesso. Trabalho duro e sorte são fatores igualmente essenciais. Na verdade, se você não é muito talentoso, pode ainda se dar bem se investir nos outros dois fatores - não me pergunte como investir na sua sorte, tente um guru.

2. A maior parte do trabalho é um saco
Na faculdade pode parecer que todo o trabalho do designer é super-legal. Já na vida real, na maioria do tempo temos que mexer com papelada, rascunhar coisas chatas, checar fatos, negociar, vender, juntar dinheiro, pagar taxas, e por aí vai. Se você não aprender a gostar do trabalho chato, nunca terá sucesso.

3. Se tudo é igualmente importante, então nada é realmente importante
Quais dessas máximas um designer deve seguir: "não se atenha apenas aos detalhes" ou "Deus está nos detalhes"? A palavra de ordem deve ser hierarquia. Tudo é importante, sim. Mas algumas coisas são mais do que outras.

4. Não pense demasiadamente num problema
Designers são obsessivos por natureza. Não tente prolongar ou complicar um problema quando você já tiver a solução. Bola para frente!

5. Comece com o que você sabe
Na língua do design isso significa "desenhe o que você sabe". Comece pelo começo: coloque no papel, ou tela, aquilo que você sabe e compreende. Depois, trabalhe sobre o que desconhece, resolvendo as questões complexas e removendo-as uma por uma. Todo designer deveria seguir esse princípio.

6. Não esqueça seu objetivo
Estudantes e jovens designers geralmente encontram soluções brilhantes para os problemas, mas na seqüência acabam perdendo o foco e despendendo esforços em vão. Um pensamento original é um presente dos deuses, principalmente quando você se atém a seu objetivo.

7. Equilibre seu ego
Excesso de confiança é tão prejudicial quanto baixa auto-estima. Seja humilde ao lidar com um problema. Identifique e aceite sua ignorância. Não abuse de seu poder de criar coisas, nem subestime suas dificuldades, caso contrário você poderá ser surpreendido - e não será uma surpresa agradável.

8. Defenda suas idéias ou "de boas intenções o inferno está cheio"
Inovação e idéias brilhantes vão contra a natureza do contrato social. Para que elas sejam bem-sucedidas você terá que defendê-las e terá que envidar grandes esforços. Entretanto, a maioria fracassa. Prepare-se para trabalhar duro, prepare-se para falhar algumas vezes e também para ser rejeitado. O trabalho do designer tem muito em comum com as artes marciais: assim como um judoca no tatame, você nunca deve subestimar seu oponente. E se você acredita na excelência e na criatividade, seus oponentes serão inúmeros.

9. Resultado
Não importa o quão eficaz são suas habilidades diante de um computador, o quão brilhante é a sua escrita ou o quão excepcional qualquer habilidade sua é; se você não conseguir vinculá-las ao resultado, basicamente elas não existirão. Resultados. Lembre-se disso: vincule suas habilidades aos resultados.

10. O resto do mundo é importante
Se você espera realizar alguma coisa em sua vida, você vai inevitavelmente precisar de todas aquelas pessoas que você odiava no colegial e na faculdade. Um terno não faz de você um gênio. Não importa o quão espetacular é o seu design: alguém terá que construir ou manufaturar a peça para você. Alguém terá que assegurá-la. Alguém terá que comprá-la. Respeite todas essas pessoas. Afinal, você precisa delas.

http://cursoabril.abril.com.br/servico/noticia/materia_186866.shtml

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Lançamento da Revista Ilustrar

Por: Ricardo Antunes

O mercado editorial brasileiro é rico em publicações de todo gênero:
futebol, artes, cultura, informação, cinema, etc.

No entanto, havia uma área que até então tinha sido praticamente
ignorada: a área da ilustração.

Aos poucos, revistas internacionais têm chegado ao mercado brasileiro
falando sobre ilustração e ilustradores, mas faltava algo mais voltado
para o nosso próprio mercado.

Para preencher este vácuo, foi desenvolvida a Revista Ilustrar, a
primeira revista 100% brasileira, produzida por ilustradores, e
voltada para o mercado de ilustração nacional e internacional.

Mais do que simplesmente mostrar ilustrações ou recursos técnicos, a
revista pretende mostrar também o lado humano, cultural e artístico
dos ilustradores, quase sempre desconhecido, mas fundamental na
formação de qualquer grande profissional.

A revista também pretende tocar outras áreas onde a ilustração pode
estar presente, como o design, e também conversar com pessoas de fora
da área, como cinema ou música, mostrando a importância que a
ilustração tem nestas outras atividades, funcionando muitas vezes como
parceria ou complemento de criação.

Para este primeiro número os convidados são Samuel Casal, Eduardo
Schaal, Orlando Pedroso, Nico Rosso, Ricardo Antunes, Renato Alarcão,
e na seção internacional, o francês Arthur de Pins.

Para o download gratuito da revista:
CLIQUE AQUI

Espero que gostem, e apreciem sem moderação. Até o próximo número.

Ricardo Antunes

Coordenador geral

www.ricardoantunes.com

www.guiadoilustrador.com.br

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Design e Responsabilidade Social

Voce acredita que o Design é apenas perfumaria?
Coisa supérflua?

Leia o texto de Vera Damazio e Cristine Nogueira e mude de idéia.

Design e responsabilidade Social
por Por Vera Damazio e Cristine Nogueira


A cada dia fica mais difícil desviar os olhos dos acontecimentos trágicos em nossa cidade, nosso país e em nosso planeta. Estamos acuados, atônitos, perdidos, respirando fundo a cada manhã a fim de absorvermos a parcela mínima necessária de coragem para irmos à luta por mais um dia. Vivemos um momento de concentração de riscos, de engarrafamento de problemas, de expressão aberta de intolerâncias, não em áreas isoladas e distantes, mas nas ruas das cidades, entre cidadãos, nos transportes coletivos, nas casas, escolas, entre mamadeiras, batons, bengalas e gravatas.

Mas alarmismos não ajudam nada. Não podemos temer abrir portas e páginas. É preciso reagir, usar a criatividade, encontrar soluções buscando olhar os problemas sob novos ângulos.

O Design, por exemplo, é uma atividade instrumentada para materializar soluções para problemas de toda ordem. No entanto, vem sendo recorrentemente associada à tarefa de criar objetos originais e extravagantes para uma elite de gosto elaborado. O Design exerce esse papel sim, e além de requinte e novidades para o público, vêm contribuindo com a produção de empregos e divisas para o país.

O que poucos sabem é que o Design é uma atividade de enorme alcance social que dispõe de instrumental para atender necessidades diversas da sociedade, das mais básicas às mais requintadas, das mais mecânicas às mais transcendentais. No entanto, por costume ou mera falta de informação, o designer vem sendo colocado à margem de muitas situações das quais deveria participar.

Um exemplo de fácil localização no cenário atual nos leva às eleições norte-americanas e à cédula de votação que, após um longo entrevero, levou George W. Bush à presidência dos Estados Unidos. Ela apresentava um defeito de diagramação que confundia o eleitor entre as lógicas horizontal e vertical de leitura. Embora simplória à primeira vista, esta é uma questão básica na formação de um designer. Será que se a cédula de votação tivesse sido bem projetada, Bush teria sido eleito" E se Bush não tivesse sido eleito" Teria sido a política externa americana conduzida com mais tolerância e habilidade-

Textos demais e ilustração de menos

Outro exemplo nos traz de volta ao Rio de Janeiro, à epidemia de dengue e à primeira campanha do Dia D, arquitetada para engajar a população carioca na luta contra o mosquito. Um dia antes de seu lançamento, a Secretaria de Saúde reconheceu que os impressos criados traziam texto demais e ilustração de menos, entre outros equívocos projetuais. Mais adiante, constatou-se que a data do evento, ou o Dia D propriamente dito, não constava dos impressos.

Ainda nas ruas do Rio de Janeiro, muitos dos ônibus coletivos não parecem ter sido projetados para cidadãos que precisam se deslocar de um ponto a outro com conforto e segurança, mas para o passageiro desonesto. Tendo como prioridade o pagamento da passagem, um sistema composto por estreitos corredores, barras e roletas encurralam os passageiros e os conduzem ao trocador. E azar deles se precisarem sair do ônibus em uma situação de emergência.

Não são poucos os exemplos de ambientes e produtos que parecem ter sido projetados com base no sentimento de desconfiança e desatenção ao cidadão: avisos que nossas ações estão sendo controladas por câmeras espalham-se por lojas, elevadores e corredores de prédios com o cínico texto "Sorria! Você está sendo filmado"; portas giratórias empurram os menos rápidos e prendem quem leva consigo as chaves de casa e outros objetos de metal inofensivos; as calçadas são abruptamente interrompidas nas entradas dos postos de gasolina dando preferência aos carros e não aos pedestres; balcões de atendimento inclinados impedem os usuários de apoiar seus pertences; caixas automáticos constrangem os menos afeitos às novas tecnologias; aparelhos e monitores comandados a partir de pequenos números, letras ou sinais tornam-se inoperantes para quem não tem uma visão perfeita, dentre tantos outros exemplos que atingem principalmente os que mais dependem de produtos eficientes e amigáveis como os idosos, os portadores de deficiência física, os iletrados e as crianças.

Caveira com faca cravada no crânio

Como se sentem e reagem as pessoas diante de sistemas de objetos e informações que não os respeitam, ou que partem do princípio que -todos querem mais é se dar bem'' E como se sentiriam e reagiriam a um entorno construído com foco em seu bem estar'

Voltemos ao Rio de Janeiro, para ao trágico episódio do seqüestro do ônibus 174 e às mortes protagonizadas por integrantes do Batalhão de Operações Especiais: O que se deve esperar de uma corporação identificada pela imagem de uma caveira com uma faca cravada no crânio à frente de duas armas" Como deve se comportar um indivíduo que 'veste" tal imagem"

O Design é um dos principais foros para o planejamento e desenvolvimento dos objetos e imagens que constituem o cenário contemporâneo. É um processo de transformação de idéias em formas, de coisas invisíveis em coisas visíveis. O Design pode incorporar códigos éticos e morais, pode informar condutas socialmente responsáveis e ajudar a transformar situações existentes em outras mais desejáveis.

Em parceria com educadores, publicitários, nutricionistas, médicos, assistentes sociais, sanitaristas, psicólogos, cientistas sociais, economistas, engenheiros e demais profissionais em ação, o Design pode, na pior das hipóteses, apresentar novos pontos de vista e ferramentas para a busca de soluções para nossa cidade, nosso país e nosso planeta e para a construção de uma sociedade mais virtuosa e plural.

Vera Damazio é designer, Mestre em Design Gráfico, Doutora em Ciências Sociais e professora do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.

Cristine Nogueira é designer, Mestre em Design e professora do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.


Fonte: Verso Brasil Editora
Data: 01/12/2005

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