Terça-feira, Julho 29, 2008

Uma Conversa sobre Design

Sabe quando você lê alguma coisa que parece ter escrito por você? Descreve perfeitamente algo que por anos você vem tentado colocar em palavras, mas nunca obtendo êxito? Então, o texto a seguir foi extraído do site Bizrevolution, por motivos de total e completa empatia com o texto. Eu me deliciei, espero que vocês gostem também.


Essa semana eu troquei algumas idéias com a Martha Perez, uma designer gráfica brasileira, amiga minha de anos de janela, que eu admiro pelo que ela é e pelo que ela faz. A Martha vive nos EUA mas trabalha globalmente.

Confira a conversa... e note que... nós TAMBÉM somos resultado dos amigos que temos...

Martha, conta um pouco sobre você. Qual é a sua trajetória, conta como foi que você chegou ai nos EUA?

Eu me formei em 86 pelo Mackenzie, curso de Comunicação VIsual em 87 ganhei uma bolsa para fazer um mestrado (MA- Master of Arts) na NIU, perto Chicago. Era para eu ficar 2 anos acabei ficando 5, 4 deles estudando (fiz o MFA Master of FIne Arts- diferença são mais créditos) porque quando cheguei lá percebi o quanto não sabia de nada...tinha a vontade, a inspiração mas não tinha a técnica. E design além da idéia, você precisa saber dos fundamentos. Quando terminei fui contratada pela universidade para trabalhar por um ano e apareceram algumas proposta de trabalho em revistas e escritórios de Design mas achei que teria mais chances no Brasil... Voltei e ninguém queria me contratar...overqualified...era o que diziam...eu usava macintosh e naquela epoca ninguém sabia o q era. Um colega de faculdade, me pediu para substitui-lo num freela , esse cliente me indicou p. TVA/MTV --Grupo Abril..o job era fazer uns slides de apresentação para a diretoria...gostaram tanto que me indicaram para o marketing pois estavam procurando diretora de arte...a velha historia de estar no lugar certo, na hora certa....depois passei pela DPTO, queria experiência em propaganda mesmo...depois de 1 ano fui fazer uma entrevista na DM9...era fim de semana de páscoa, o Uhr Ehr (hoje um dos sócios da Borghier), me atendeu...gostou da minha pasta mas pediu para eu terminar uns layouts e depois voltar que ele mesmo mostraria minha pasta p. Cipolla...não voltei...maluca que eu era decidi abrir minha própria agência com Ricardo Murilhas, meu redator da TVA e criamos a Agencia de Idéias. Começamos na sala do meu mini apto...o Ricardo fazia os textos sentado no chão...aos poucos fomos crescendo, nos mudamos para uma sala e no 3º ano ja ocupávamos um sobradinho na Vila Mariana e tinhamos como cliente NET, GRADIENTE, Petrobras, Disney..etc..Em 2000 comecei a trabalhar sozinha novamente...percebi que conforme iamos crescendo eu me afastava do que eu mais gostava..que era criação.... foi uma escolha pessoal. Agora moro em Miami pelo simples fato do meu marido ser americano (não tem nenhuma história glamourosa por trás)...Graças a internet atendo meus clientes, e falo com meus colaboradores e funcionários via skype/email do meu home office que a partir do próximo mês estara junto ao mar... perfeito!

Design está na crista da onda, todo mundo fala de design ou se acha um design, o que é design para você e como o design pode beneficiar os negócios?

Bom, modismos a parte design pode se dizer q é uma ciência...ciência da comunicação e ao mesmo tempo uma arte. Uma arte dirigida. Eu acho que a facilidade das ferramentas dos programas gráficos popularizou o design, mas não quer dizer que tudo seja bom. Eu acredito que o computador permite ainda muita gente fazer péssimo design só que mais rápido. Quando o verdadeiro design é levado a sério é como ciência e tem o processo certo : pesquisa, teste, avaliação, resultados..então é muito mais certo que alcançara metas.

Essa popularização do design fez com que o consumidor começasse a prestar mais atenção em detalhes...pois hoje não basta mais o produto ser eficiente, ele precisa combinar com quem tá comprando...Design associado a uma personalidade/identidade ao objeto e a uma marca. Uma camiseta branca qualquer no supermercado custa x, mas quando leva uma etiqueta da Guess custa 20x mais...podem ter sido confeccionadas no mesmo lugar. Beneficio está no oder do design que aliado ao marketing tem a funcao principal de definir a percepção do valor (real ou não) deste produto e/ou marca junto ao consumidor, com a única intenção de aumentar vendas e claro o lucro.

A barra subiu para todos, aumentou o número de pessoas com MBA, aumentou o número de pessoas com certificações das mais diversas, aumentou literalmente o número de pessoas boas, como se diferenciar em um mundo tão cheio de pessoas excelentes?

Pois é, na minha classe quantos se formaram..? 50? Quantos realmente estão praticando? Entrar no mercado não é fácil, e como falamos uma vez na realidade o que vale além é claro da qualidade do seu trabalho é o seu network.

Para saber escolher entre tantas opcoes, na minha opinião, Você tem q procurar um designer cujo trabalho tem a ver com a linha, imagem que você quer. Tem que analisar portfolio, pois apesar de seguir fundamentos cada designer tem um estilo que estará presente no resultado final. Além é claro, alguem com quem seja fácil a comunicação, a troca de idéias e experiencias...como todo relacionamento, Tem q saber a hora de insistir e a hora de desistir...:-)

Como você lida com gerenciamento de tempo?

Eu gostaria de falar que gerencio meu tempo perfeitamente bem...mas não dá..o que posso dizer é que eu estou melhor do que o ano passado, e hoje estou melhor que ontem...sou da antiga, mesmo que o trabalho seja pequeno as vezes passo mais tempo do que deveria porque não está do jeito que eu quero. Gostaria que o design fosse um trabalho mais burocrático, ai começaria a criar as 8 e parava as 6. Mas não é assim. O job aparece as ideias começam a correr e podem aparecem a qualquer momento, no meio do sono, no corredor do supermercado, tomando banho.....não dá para falar vou parar!...eu ando sempre com um bloquinho, ate ao lado da cama...p. anotar tudo.

Tento organizar hora de ler emails, responder chamadas, pesquisar determinado job, "rafear."...e editorar (trabalho braçal) e o de administracao do escritório. A internet é maravilhosa mas se você não se controlar passa o dia, respondendo emails e chat com cliente.

Como você sabe que o seu trabalho está legal?

.. fora os elogios..:-)... e novos clientes ligando por causa dele..como também tendo a resposta que o cliente esperava...seja no aumento de vendas ou na divulgação da informação..

Mas como todo artista tenho meus dias de insegurança....assim como o escritor que olha a folha branca do papel e diz que é agora que irão descobrir que sou uma farsa....é claro que isso passa na cabeça de todo mundo, quem diz que não ou é extremo egôcentrico ou está mentindo....eu faço o que eu acho correto pela minha experiência...se eu não acho que está legal não terminou. É claro que as vezes há alterações que o cliente pede que você é contra, mas as vezes são limitações técnicas que você tem que respeitar...Gosto também quando algo q eu fiz tempos atras, aparece como um estilo, como novidade, ai fico feliz e penso..puxa ..I still got it...não sei como fala isso em portugues.

Você acredita que o ambiente de trabalho inspira a criatividade? Como é o seu ambiente de trabalho?

Tinha um professor que dizia...preste sempre atenção quando você teve a sua última idea brilhante...como estava a luz do dia, você estava tomando café, sentado em que mesa etc. Ele acreditava que isto teria colaboraborado para a ideia surgir e que a gente tem que tentar sempre repetir este evento... . Nunca vi um escritório de design ou propaganda que fosse frio, quadrado como uma repartição pública...É claro que influência,..num trabalho criativo você precisa se sentir a vontade, não se sentir amarrado ou fora de lugar, para sim o brainstorming não ter limites, e não ser podado por regras e medo de não ser adequado...O meu tem cores fortes nas paredes, música sempre tocando (depende do job), posters antigos e clássicos pendurados e trabalhos que estão em andamento para serem analisados.

Existe algum segredo para desenvolver a criatividade?

Curiosidade é a base de tudo...além da necessidade, claro.

Eu recebo varios emails de estudantes me perguntando a mesma coisa...O designer por natureza é um curioso,, quando ele olha automaticamente ele está analisando cor, forma, proporção, luz, movimento...e de alguma forma toda essas informações vão para um banco de dados e são resgatados na hora certa para resolver determinado problema...por isso a necessidade de estar sempre aumentando estas referências...tem que ler de tudo q aparece em suas mãos, visitar tudo o que é exposição pois artes plasticas, assim como cinema.. sempre tem uma ligação direta com design, visitar supermercados - paraiso para pesquisar embalagens e como elas se apresentam, livrarias, bancas de revistas...escutar música, ler os encartes......e agora com internet então...por isso que falei que não é fácil gerenciar tempo..um mundo inteiro está aberto pra você explorar e se bobear você passa o dia inteiro descobrindo...porque afinal o maior capital q você tem é você mesmo. Você tem que investir em você. E você tem que exercitar sua imaginação..Como qquer atleta, se você não pratica fica fora de forma...

De onde você tira idéias para fazer design? Qual é o seu processo de criação preferido? Brainstorm, pesquisa, meditação, baixa-santo?

Depende do trabalho..a partir do momento q o cliente começa a me brifar eu ja começo a criar...faço a pesquisa para saber mais sobre o produto (as vezes é difícil extrair tudo o que você precisa do cliente), faço um brainstorming a começar pelo bom velho papel para as sketches iniciais, a partir do caminho definido é feito o desenvolvimento no computador de outras pecas, aplicacções e adaptações...mas aprendi a não ter medo de começar do zero quando o processo fica emperrado.. e tomar outro caminho se necessário.

Designers as vezes criam coisas bem doidas e cabeças que ninguém entende direito o que significam. Você acredita que temos que dar o quê o cliente entende ou fazer o que o cliente não espera?

Depende do cliente. Uma vez um designer que deu uma palestra na minha universidade disse..As vezes você é espelho, as vezes vocÊ é o reflexo e as vezes você é somente o prestador de serviços.

Mas basicamente se ninguém entendeu então ouve ruido..... ....não é certo.. Mas você pode surpreender o cliente de várias maneiras e depende do produto em questão há o espaço para coisas mais da vanguarda. Exemplo, quando apresentei as ideias para um novo rótulo da linha de produtos para cabelo Capi VIda o meu cliente quase teve um ataque cardíaco, e disse que não se usava preto para rótulos de shampoo...e no final este logo junto com a nova embalagem fez esta linha de produtos, que estava para ser exterminada, superar a estimativa de vendas por quase 60%.

Quais são as suas referências em design, o que você lê, quem são os melhores designers do planeta?

Leio alguns Blogs como o Unbeige, alguns artigos da How e gosto do Anuario da PRINT...melhores designers para mim sao os classicos como o Milton Glazer. Que numa época sem photoshop fizeram trabalhos atemporais..... como por ex. o logo do Milton Glazer I Coracao NY...Simples e perfeito.

E adoro o trabalho de certos artistas como as composicoes graficas de Kurt Scwitters, Franz Kline, as cores de Kandinsky...as manchas de Mark Rotko (adoro!) e Motherwell... p/ começar.

Aliás tenho uma frase do Kandisky muito boa...

" A arte é um poder que deve ser dirigido para o crescimento da alma. Se a arte não realiza esse trabalho, o abismo que nos separa de Deus permanece sem uma ponte.

O artista deve seu talento a Deus, e precisa saldar este débito para isso, precisa trabalhar duro-e saber que ele é livre em sua arte, m as nao em seu compromisso com a vida.

Tudo o que ele sente e pensa é parte da matéria-prima com que irá melhorar a atmosfera espiritual à sua volta. A beleza na arte....não pode ser vazia; precisa estar a serviçø do homem e do mundo."

O designer brasileiro é melhor do que o designer americano? Qual é a diferença? Existe alguma?

Não digo que seja melhor, o designer americano tem mais exposição, tem mais preparo, recursos. Se ha diferença é no estilo..volta a aquela questão do desenvolver sua criatividade..tudo depende de quem foi ou são suas influências.

Quais são as tendências mais importantes do mundo design para 2007?

As tendencias são constantes releituras...volta dos anos 60...e agora um pouco dos 80..como falei todas as artes se comunicam moda/musica... bom lugar para observar tendências são os titulos/créditos dos filmes...e video clips MTV...é o novo e diferente que depois se torna popular e onipresente.

*www.bizrevolution.com.br

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Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Dez coisas que todo designer deve saber

Gente, eu não morri (Nem desisti do Blog)
Não foi falta de tempo pra postar. A atual realidade não aceita mais essa desculpa, infelizmente. Todo o mundo tá batendo pino! E comigo não é diferente.

Enquanto eu penso em como e o que postar pra voltar à ativa, vou desenterrar um post que estava salvo como rascunho. Aliás, esse é um ótimo truque para quem mantém um blog. Aproveite àqueles dias de inspiração divina, e rascunhe alguns posts a mais. De preferência sobre um assunto genérico, com uma data de validade bem longe de se expirar. Tipo esse que postarei agora. Cai como uma luva nessas horas de "Preciso atualizar meu blog AGORA!". Segue...


Dez coisas que todo designer deve saber...
... mas nunca vai aprender num curso de Design:

Confira as 10 dicas essenciais para quem trabalha ou pretende trabalhar com design. Os conselhos foram inspirados num texto semelhante do arquiteto norte-americano Michael McDonough, publicado originalmente na The Architect's Newspaper.

1. Talento não é tudo
Talento é importante em qualquer profissão, mas também não é garantia de sucesso. Trabalho duro e sorte são fatores igualmente essenciais. Na verdade, se você não é muito talentoso, pode ainda se dar bem se investir nos outros dois fatores - não me pergunte como investir na sua sorte, tente um guru.

2. A maior parte do trabalho é um saco
Na faculdade pode parecer que todo o trabalho do designer é super-legal. Já na vida real, na maioria do tempo temos que mexer com papelada, rascunhar coisas chatas, checar fatos, negociar, vender, juntar dinheiro, pagar taxas, e por aí vai. Se você não aprender a gostar do trabalho chato, nunca terá sucesso.

3. Se tudo é igualmente importante, então nada é realmente importante
Quais dessas máximas um designer deve seguir: "não se atenha apenas aos detalhes" ou "Deus está nos detalhes"? A palavra de ordem deve ser hierarquia. Tudo é importante, sim. Mas algumas coisas são mais do que outras.

4. Não pense demasiadamente num problema
Designers são obsessivos por natureza. Não tente prolongar ou complicar um problema quando você já tiver a solução. Bola para frente!

5. Comece com o que você sabe
Na língua do design isso significa "desenhe o que você sabe". Comece pelo começo: coloque no papel, ou tela, aquilo que você sabe e compreende. Depois, trabalhe sobre o que desconhece, resolvendo as questões complexas e removendo-as uma por uma. Todo designer deveria seguir esse princípio.

6. Não esqueça seu objetivo
Estudantes e jovens designers geralmente encontram soluções brilhantes para os problemas, mas na seqüência acabam perdendo o foco e despendendo esforços em vão. Um pensamento original é um presente dos deuses, principalmente quando você se atém a seu objetivo.

7. Equilibre seu ego
Excesso de confiança é tão prejudicial quanto baixa auto-estima. Seja humilde ao lidar com um problema. Identifique e aceite sua ignorância. Não abuse de seu poder de criar coisas, nem subestime suas dificuldades, caso contrário você poderá ser surpreendido - e não será uma surpresa agradável.

8. Defenda suas idéias ou "de boas intenções o inferno está cheio"
Inovação e idéias brilhantes vão contra a natureza do contrato social. Para que elas sejam bem-sucedidas você terá que defendê-las e terá que envidar grandes esforços. Entretanto, a maioria fracassa. Prepare-se para trabalhar duro, prepare-se para falhar algumas vezes e também para ser rejeitado. O trabalho do designer tem muito em comum com as artes marciais: assim como um judoca no tatame, você nunca deve subestimar seu oponente. E se você acredita na excelência e na criatividade, seus oponentes serão inúmeros.

9. Resultado
Não importa o quão eficaz são suas habilidades diante de um computador, o quão brilhante é a sua escrita ou o quão excepcional qualquer habilidade sua é; se você não conseguir vinculá-las ao resultado, basicamente elas não existirão. Resultados. Lembre-se disso: vincule suas habilidades aos resultados.

10. O resto do mundo é importante
Se você espera realizar alguma coisa em sua vida, você vai inevitavelmente precisar de todas aquelas pessoas que você odiava no colegial e na faculdade. Um terno não faz de você um gênio. Não importa o quão espetacular é o seu design: alguém terá que construir ou manufaturar a peça para você. Alguém terá que assegurá-la. Alguém terá que comprá-la. Respeite todas essas pessoas. Afinal, você precisa delas.

http://cursoabril.abril.com.br/servico/noticia/materia_186866.shtml

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Design e Responsabilidade Social

Voce acredita que o Design é apenas perfumaria?
Coisa supérflua?

Leia o texto de Vera Damazio e Cristine Nogueira e mude de idéia.

Design e responsabilidade Social
por Por Vera Damazio e Cristine Nogueira


A cada dia fica mais difícil desviar os olhos dos acontecimentos trágicos em nossa cidade, nosso país e em nosso planeta. Estamos acuados, atônitos, perdidos, respirando fundo a cada manhã a fim de absorvermos a parcela mínima necessária de coragem para irmos à luta por mais um dia. Vivemos um momento de concentração de riscos, de engarrafamento de problemas, de expressão aberta de intolerâncias, não em áreas isoladas e distantes, mas nas ruas das cidades, entre cidadãos, nos transportes coletivos, nas casas, escolas, entre mamadeiras, batons, bengalas e gravatas.

Mas alarmismos não ajudam nada. Não podemos temer abrir portas e páginas. É preciso reagir, usar a criatividade, encontrar soluções buscando olhar os problemas sob novos ângulos.

O Design, por exemplo, é uma atividade instrumentada para materializar soluções para problemas de toda ordem. No entanto, vem sendo recorrentemente associada à tarefa de criar objetos originais e extravagantes para uma elite de gosto elaborado. O Design exerce esse papel sim, e além de requinte e novidades para o público, vêm contribuindo com a produção de empregos e divisas para o país.

O que poucos sabem é que o Design é uma atividade de enorme alcance social que dispõe de instrumental para atender necessidades diversas da sociedade, das mais básicas às mais requintadas, das mais mecânicas às mais transcendentais. No entanto, por costume ou mera falta de informação, o designer vem sendo colocado à margem de muitas situações das quais deveria participar.

Um exemplo de fácil localização no cenário atual nos leva às eleições norte-americanas e à cédula de votação que, após um longo entrevero, levou George W. Bush à presidência dos Estados Unidos. Ela apresentava um defeito de diagramação que confundia o eleitor entre as lógicas horizontal e vertical de leitura. Embora simplória à primeira vista, esta é uma questão básica na formação de um designer. Será que se a cédula de votação tivesse sido bem projetada, Bush teria sido eleito" E se Bush não tivesse sido eleito" Teria sido a política externa americana conduzida com mais tolerância e habilidade-

Textos demais e ilustração de menos

Outro exemplo nos traz de volta ao Rio de Janeiro, à epidemia de dengue e à primeira campanha do Dia D, arquitetada para engajar a população carioca na luta contra o mosquito. Um dia antes de seu lançamento, a Secretaria de Saúde reconheceu que os impressos criados traziam texto demais e ilustração de menos, entre outros equívocos projetuais. Mais adiante, constatou-se que a data do evento, ou o Dia D propriamente dito, não constava dos impressos.

Ainda nas ruas do Rio de Janeiro, muitos dos ônibus coletivos não parecem ter sido projetados para cidadãos que precisam se deslocar de um ponto a outro com conforto e segurança, mas para o passageiro desonesto. Tendo como prioridade o pagamento da passagem, um sistema composto por estreitos corredores, barras e roletas encurralam os passageiros e os conduzem ao trocador. E azar deles se precisarem sair do ônibus em uma situação de emergência.

Não são poucos os exemplos de ambientes e produtos que parecem ter sido projetados com base no sentimento de desconfiança e desatenção ao cidadão: avisos que nossas ações estão sendo controladas por câmeras espalham-se por lojas, elevadores e corredores de prédios com o cínico texto "Sorria! Você está sendo filmado"; portas giratórias empurram os menos rápidos e prendem quem leva consigo as chaves de casa e outros objetos de metal inofensivos; as calçadas são abruptamente interrompidas nas entradas dos postos de gasolina dando preferência aos carros e não aos pedestres; balcões de atendimento inclinados impedem os usuários de apoiar seus pertences; caixas automáticos constrangem os menos afeitos às novas tecnologias; aparelhos e monitores comandados a partir de pequenos números, letras ou sinais tornam-se inoperantes para quem não tem uma visão perfeita, dentre tantos outros exemplos que atingem principalmente os que mais dependem de produtos eficientes e amigáveis como os idosos, os portadores de deficiência física, os iletrados e as crianças.

Caveira com faca cravada no crânio

Como se sentem e reagem as pessoas diante de sistemas de objetos e informações que não os respeitam, ou que partem do princípio que -todos querem mais é se dar bem'' E como se sentiriam e reagiriam a um entorno construído com foco em seu bem estar'

Voltemos ao Rio de Janeiro, para ao trágico episódio do seqüestro do ônibus 174 e às mortes protagonizadas por integrantes do Batalhão de Operações Especiais: O que se deve esperar de uma corporação identificada pela imagem de uma caveira com uma faca cravada no crânio à frente de duas armas" Como deve se comportar um indivíduo que 'veste" tal imagem"

O Design é um dos principais foros para o planejamento e desenvolvimento dos objetos e imagens que constituem o cenário contemporâneo. É um processo de transformação de idéias em formas, de coisas invisíveis em coisas visíveis. O Design pode incorporar códigos éticos e morais, pode informar condutas socialmente responsáveis e ajudar a transformar situações existentes em outras mais desejáveis.

Em parceria com educadores, publicitários, nutricionistas, médicos, assistentes sociais, sanitaristas, psicólogos, cientistas sociais, economistas, engenheiros e demais profissionais em ação, o Design pode, na pior das hipóteses, apresentar novos pontos de vista e ferramentas para a busca de soluções para nossa cidade, nosso país e nosso planeta e para a construção de uma sociedade mais virtuosa e plural.

Vera Damazio é designer, Mestre em Design Gráfico, Doutora em Ciências Sociais e professora do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.

Cristine Nogueira é designer, Mestre em Design e professora do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.


Fonte: Verso Brasil Editora
Data: 01/12/2005

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Terça-feira, Julho 03, 2007

Let's talk about work - 2nd Part

O pulo do gato do Designer, está em "ligar o piloto automático" naquela hora do trabalho braçal, que requer não mais neurônios que uma toupeira, se livrando logo dessa parte sacal que alguém tem que fazer (quando não se tem um estag e acaba sobrando pra você) para assim ter um bom tempo para se dedicar naquilo que definitivamente demanda mais tempo, que é no geral o que você ama fazer e pelo quê será reconhecido. Sua carreira depende disso. Sua vida depende disso. Então, na hora do ctrl+c -ctrl+v, se desconecte das pessoas, desplugue-se de seus problemas, de suas contas atrasadas, daquela esofagite. Delete o telefone que não pára te tocar, o cara do seu lado que não sabe falar sem gritar e do seu chefe que não pára de te cobrar. Assim você, meio que como numa psicografia, vai fazer o trabalho que tem que ser feito e nem vai sentir! Fácil assim! Quando conseguir tudo isso, me conta como, ok?

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